Tendências do mercado de saúde no Brasil

O objetivo deste post é destacar o cenário atual e as principais tendências que influenciarão o mercado de saúde brasileiro nos próximos anos. 

As fontes desse texto são diversas, desde advisors de investimentos financeiros, como também órgãos públicos. 

Destacamos que é muito importante para os profissionais de saúde compreender as tendências do mercado, uma vez que influenciam tanto na área assistencial como também nos negócios.

Abaixo, elencamos as principais tendências de destaque no mercado de saúde brasileiro:

  • Envelhecimento e obesidade: 

O Brasil acompanha tendências mundiais como o envelhecimento e o aumento da obesidade na população, porém apresenta especificidades relacionadas ao seu sistema de saúde que conta com iniciativas públicas e privadas.

Atualmente somos 210,1 milhões de pessoas no país. Segundo o IBGE, a projeção é de que seremos 233,2 milhões em 2047. 

Apesar desse período de crescimento populacional, as projeções indicam que a partir de 2048 entraremos em um processo de encolhimento. No Brasil, a projeção é de que em 2060 seremos 228,3 milhões.

A expectativa de vida do brasileiro, por sua vez, vem aumentando. O envelhecimento populacional é uma tendência mundial. Estima-se que os cidadãos nascidos no ano de 2018 terão expectativa de vida de 76,3 anos. Em 2010, esse valor era de 73,8 anos. Em breve, a tendência é de que teremos uma sociedade com maior parcela de idosos associado ao fenômeno histórico de encolhimento populacional.

  • Acesso à saúde: 

A assistência médica no país é dividida entre iniciativa pública e privada.

Em 2020, segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), aproximadamente 24% da população brasileira ou aproximadamente 50 milhões de brasileiros possuem planos de saúde privados. Os demais 160 milhões de brasileiros contam com o SUS como única forma de acesso à saúde.

A assistência à saúde privada contempla três tipos de modalidades: planos individuais ou familiares, coletivos por adesão e coletivos empresariais. 

Eventos que impactam negativamente o mercado financeiro e interferem na economia do país, como a recente pandemia de COVID-19, elevam as taxas de desemprego. Como cerca de 68% dos planos de saúde no país são coletivos empresariais, a tendência observada é de encolhimento do número de beneficiários de planos privados de saúde. 

A previsão segundo analistas é de que a taxa de desemprego retorne ao nível pré-pandemia apenas em 2027.

  • Gastos em saúde 

É de conhecimento amplo que os recursos destinados à assistência são desiguais entre a iniciativa pública e privada. Para ilustrar o fato, do total de gastos em saúde no Brasil, 43% são arcados pelo setor público, enquanto 47% são custeados pela iniciativa privada, segundo a Fitch Solutions Forecast. Isso significa que o SUS gasta de R$348 bilhões para cuidar de 160 milhões de vidas, enquanto o sistema privado gasta R$459 bilhões para tratar de 51 milhões de brasileiros.

A sinistralidade é a relação entre despesas e receitas. A tendência é de aumento no mercado de saúde. Isso porque a elevação dos custos assistenciais e de métodos de diagnóstico aumentam com o envelhecimento populacional. 

Os vilões do aumento do custo assistencial são os excessos de internações hospitalares e solicitação de exames diagnósticos. Iniciativas públicas e privadas com o “core” na prevenção de doenças serão muito importantes para a sustentabilidade do mercado de saúde. 

Segundo o grupo Notredame Intermédica, para cada R$1 investido em tratamento preventivo R$7 em despesas médicas são evitados.

Os idosos representam 14% da população de beneficiários de planos de saúde. A assistência a essa faixa etária é, em média, seis vezes mais dispendiosa em relação aos custos com a população jovem (0 a 17 anos).

  • Remuneração dos profissionais de saúde:

Com relação a remuneração dos profissionais de saúde, observamos que durante anos, o modelo consagrado foi baseado no “fee for service” ou em “fee for quality”. Ou seja, remunera-se por número de procedimentos / pacientes atendidos (fee for service) ou então pelo grau de titulação do profissional (fee for quality).

Em sintonia com o esforço para reduzir gastos assistenciais, percebemos, cada vez mais, iniciativas privadas que fomentam um terceiro modelo de remuneração denominado “value based”.

Apesar de o profissional de saúde ainda não estar habituado com esse conceito e muito menos confortável com essa mudança, observamos que isso é uma tendência global. Significa basicamente que a remuneração tende a ser feita por performance, ou seja, o profissional será melhor remunerado ao proporcionar o maior impacto no desfecho dos atendimentos com custo otimizado.

  • Negócios em saúde em crescimento no país:

Devido ao envelhecimento da população e o aumento da obesidade, as iniciativas que contemplem esses grupos de pacientes são promissoras. 

A genômica e a medicina personalizada, apesar de serem pouco exploradas no país, tem uma tendência de crescimento.

A indústria farmacêutica apresenta forte tendência de crescimento. De acordo com a Falke Information, os gastos em medicações aumentaram em 30% no segundo trimestre de 2020 comparado com o mesmo período em 2019. Medicamentos genéricos, inovadores, vacinas e drogas para doenças crônicas são os principais motores do setor.

O setor de clínicas populares também apresenta tendência de crescimento no país. Com o aumento das taxas de desemprego e redução do número de beneficiários de planos de saúde, as clínicas populares ganham espaço. Atualmente, já existem várias franquias em operação. Exames laboratoriais e de imagem estão entrando, cada vez mais, no rol de atividades desse modelo de negócios. Oferecer atendimento médico rápido e de baixa complexidade são os pontos fortes desse segmento.

O setor de franquias de clínicas odontológicas também está em franca expansão no mercado brasileiro. Atualmente já são mais de 1000 unidades distribuídas em mais de 20 redes produzindo um faturamento de 50 milhões por mês, segundo o blog Empreenda da Dvi franchising. Além disso, esse setor possui baixas taxas de inadimplência, 5%. Ao mesmo tempo, o setor público mostra-se ineficiente para atender a população que está, cada vez mais, valorizando a saúde bucal.

O setor de saúde digital, apesar de ainda inovador, vem ganhando espaço. A recente regulamentação da telemedicina proporcionou uma nova modalidade de atendimento para o médico. O paciente muitas vezes, não está mais no mesmo espaço geográfico que o médico, sendo possível realizar atendimento online em outra cidade, por exemplo. Aplicativos de ferramentas e serviços, softwares de gestão, prontuários eletrônicos são alguns tipos de iniciativas digitais que estão cada vez mais presentes no dia-a-dia do médico. 

  • Conclusão

Estar antenado sobre tendências no mercado de saúde é fundamental para compreender as dinâmicas que estão em voga. Tanto do ponto de vista assistencial, como empreendedor, o profissional de saúde possui ampla gama de iniciativas que podem ser fomentadas, desde que estejam sintonizadas com as forças motrizes do setor.

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